conhecendo gamedevs #6: Cainã Morellato
sound designer nos games, e um dos integrantes do cauwave!
this issue is in Portuguese.

bom dia, gedê! hoje temos nosso primeiro convidado no quadro que é especializado na área do sound design (e que é um influenciador conhecido também, olha que loucura).
a vida é muito louca e eu conheci o Cainã faz alguns anos em um curso de produção musical voltada pra games (sim, antes do game design eu fiz isso).
recentemente nos encontramos de novo pelas interwebs e agora ele tá aqui pra compartilhar as vivências dele no mundo dos games!
se você curte conhecer gamedevs e não se inscreveu na newsletter ainda, aproveita agora pra fazer isso! e compartilha com seus amigos pra que eu consiga continuar fazendo esse trabalho aqui :)
bom dia, Cainã!

opa, bom dia galera! feliz de estar aqui :)
qual é seu jogo favorito? por que?
Zelda! no cérebro eu respondo Ocarina of Time, mas meu coração precisa que eu responda A Link to the Past...
foi onde tudo começou, cara. meu pai entrou numa loja de móveis pra comprar o SNES pq lá tinha crediário. sempre conta que levou “aquela fitinha ali do canto”, e que isso foi uma das melhores escolhas que fez na vida. eu devia ter uns 3 ou 4 anos, mas tenho nítido na memória a primeira vez que vi a title screen e escolhemos o nome. nasceu Dancai, o herói lendário (daqui de casa). era pra ser a mistura do nome do meu irmão mais velho, Dan, e o meu. mas não tinha caracteres o suficiente. agradeço muito aos KBs daquela plaquinha. pra mim esse é um nome muito importante!

daquele dia em diante, jogamos todos os Zeldas de console juntos, mesmo que demorasse. meu pai ia lendo, fazendo vozes e matando boss. quando fiquei mais velho, herdei os controles. quando meus irmãos mais novos nasceram, se juntaram ao ritual. nunca conheci Link nenhum- até o BotW.
e pra te falar a verdade, na minha cabeça eu sou o Adult Dancai. o tanto que eu joguei OoT de novo (depois que zeramos) me fazia sentir que aquele era o MEU mundo. eu cresci em Hyrule. nunca saí de lá. é por isso: eu tenho certeza de que eu seria totalmente diferente se nunca tivesse conhecido Zelda. arrisco dizer que talvez não seria artista, ou pelo menos não tão curioso pela vida, suas paixões e seus mistérios.
o que te fez se interessar por gamedev?
quando eu tinha uns 8 ou 9 anos, meu irmão comprou numa banca um daqueles CDs que vinham com programas e demos. veio com o RPG Maker 2000. mermão, eu nunca fui tão feliz! não sabia ainda, mas estava sendo meu primeiro contato com muitas coisas que usei profissionalmente depois. tileset, bgm, sfx, events, pra mim viraram brincadeiras de infância.

na adolescência descobri a comunidade online nos fóruns, fui moderador da ala de design da RPG Maker Brasil e vivia aquilo diariamente (eu sou o Kay). lá conheci o meu melhor amigo (que depois virou uma lenda do RM brasileiro haha), Matheus Rocha - o Matt RvdR. ele era gaúcho e veio passar férias na minha casa no ES várias vezes. quando chegou o terceiro ano, decidimos fazer faculdade de jogos juntos. no fim, ele não conseguiu vir, mas eu entrei. engraçado é que hoje ele veio morar aqui na minha cidade - e o meu MAIOR sonho é convencê-lo a voltar a fazer jogos rs (estou tentando há anos).
escolhi fazer Jogos Digitais porque, diante da pressão do vestibular, eu queria algo que balanceasse a pressão social por retorno financeiro, mas que também não abrisse mão do contato com o que mais amo, que é criar/arte. encontrei o gamedev e fui.
como você começou a trabalhar na área?
durante a faculdade, fui monitor de algumas matérias pra ganhar bolsa. nesse processo, uma das minhas professoras, que trabalhava num pequeno estúdio de games chamado Interama, me chamou pra um processo seletivo de estágio.

passei, fui contratado e trabalhei lá pelo resto da faculdade. foi meu primeiro contato com um workflow profissional, e fiz de tudo: interface, texturização, mapping, BGM, SFX e até character design. trabalhávamos num cubículo sem janelas, aprendi muito com aquela galera. foram tempos muito felizes. depois disso, voltei pra minha cidade e comecei a focar na produção de música - dentro e fora dos jogos.
como é sua rotina de trabalho?
hoje eu sou criador de conteúdo profissional e já não atuo na área. mas me especializei em trilha e SFX, e até poucos anos atrás vivia uma rotina freelancer.
fechava jobs por indicação e montava a minha própria agenda (caótica e irregular) em casa. foi difícil me profissionalizar de forma independente, mas com o tempo aprendi a me organizar: todo projeto tinha uma planilha de mapeamento de sons, de entregas e status, com integração direta com os programadores.
era um sistema simples mas que ajudava muito na limpeza de comunicação e eficiência. separava meus horários entre isso e a produção musical da minha banda, que era minha grande expectativa profissional.
o que você mais gosta de trabalhar com games?
gosto de me sentir acessando essa criatividade pura de quando era criança. sou muito intuitivo com a arte, e criar coisas novas me dá um frio na barriga que aprendi a resgatar depois de adulto.
por incrível que pareça, houve uma época que eu fiquei friamente técnico e isso me limitou muito. sofri profundamente de bloqueio criativo por anos, e com uma longa depressão. os jogos, em especial o RPG, me devolveram a triforça: o poder de deixar fluir o que havia dentro. foi o Adult Dancai recuperando o propósito!
o que você menos gosta?
de projetos com objetivo estritamente comercial. pra mim, videogame é arte e a prioridade deve ser sempre a expressão sincera da alma, da cultura, da identidade.
quais são suas referências/inspirações?
pô, acho que sou clichezão nessa. gosto muito do Sr. Miyamoto pela sua trajetória desenho -> jogos. inspirando-se na sua vida e infância, criou coisas sinceras e incríveis.

na faculdade, descobri o Neil Druckmann, que virou referência em acreditar de coração nas ideias mais sinceras (e improváveis). também pela maestria nos resultados. um amigo me emprestou Uncharted 2 e eu não acreditava no que estava vendo. depois veio o The Last of Us e confirmou tudo. também preciso dizer Rockstar, pela rigorosa atenção aos detalhes.

resuma seu processo de desenvolvimento em 4 palavras
intuição, liberdade, planejamento, ação.
quais foram os efeitos sonoros ou trilha sonoras que mais te marcaram em jogos?
descobrir um segredo em ALttP.
abrir um baú em OoT. terminar uma fase em Megaman X.
as trilhas de Pokémon Crystal, Harvest Moon FoMT e Stardew Valley.
TODO o sound design dinâmico de BotW.
a cavalgada final de Red Dead Redemption 2.
recentemente, a música de Clair Obscur Expedition 33.

pra quem quer acompanhar mais do Cainã:
→ você pode seguir ele no instagram dele, ou no Cauwave!
eu sou o baptixta, sou game desginer e cofundador do Nano Knight Studio e continuo procurando por ideias que me tirem do sofá :)

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